PASSEI NA OAB. MAS E AGORA?

Dúvidas e angústia no início da carreira profissional.

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E lá se foram 05 anos de faculdade. E depois de muitas idas e vindas acadêmicas você, finalmente, está formado. Mas o grande “clímax” dessa história toda, como você bem sabe, foi a aprovação no famigerado Exame da Ordem dos Advogados da OAB. Somente depois que você se livra deste karma profissional surge a plena sensação de “dever cumprido”. Certo? Só que não…. É aí que o bicho começa a pegar de verdade.

Costumo dizer que a felicidade de ser aprovado no Exame de Ordem e a satisfação de colar grau estão entre os estados de contentamento pessoal mais fugazes que existem.Você tem aquela alegria – muitas vezes etílica – um frisson, a sensação que você se vingou de um sistema que te oprimia. Só que depois de tudo isso… vem a famigerada, a amaldiçoada, a perversa pergunta: Mas e agora? Como eu começo a minha carreira? O pior é que esta pergunta, maldita que é, te persegue de dia, mas tem uma enorme vocação noturna… se assombra a partir das duas e meia da manhã e te faz ficar acordado até às seis horas. Depois te abandona deixando um sono mortal e uma dor de cabeça mais forte do que ressaca de bebida barata. Ao estilo ressaca “Vodka Balalaika”. Sabe qual é? Não me engana não…Eu sei que você sabe.

Essa pergunta está te assombrando? Não tem problema. Fica sussa porque é assim mesmo. Você não é a primeira – e também não será a última – vítima dessa, digamos assim, indagação filosófico-profissional. Ela assombrou todos os profissionais recém-formados ou prestes a se formar. E os que dizem que não passaram por isso…truco ladrão!!!!!

Dúvidas e questões existenciais no início de carreira fazem de um processo natural de qualquer profissional. As causas são óbvias, muito embora ninguém queira enxergar.

Em primeiro lugar, a maioria das Faculdades de Direito – para não dizer todas – não ensinam e não preparam o estudante para enfrentar a realidade do mercado (seja ele público ou privado). É triste o que vou dizer. Especialmente porque sou professor universitário. Mas as grades acadêmicas e as ementas das disciplinas são lotadas de conteúdos que não servem para A-B-S-O-L-U-T-A-M-E-N-T-E nada, nadinha… E para piorar, o conteúdo prático abordado nos cursos de Direito é pífio comparado com a abordagem teórica. Dureza, né?

Além do problema dos conteúdos acadêmicos, existe um outro entrave fundamental. A abandonada atividade de mentoria. Hoje o tema está na moda, mas é algo bem antigo. Os alunos e os jovens profissionais precisam, inevitavelmente, do acompanhamento de um mentor nos primeiros passos profissionais. Praticamente uma orientação pós-vocacional. O mentor é um professor com uma vocação específica. Alguém experiente, capaz de dizer o que o profissional pode fazer e como ele deve agir. O mentor atua junto com o aluno e/ou profissional avaliando opções, mostrando os prós e contras das múltiplas carreiras que o Direito oferece. O mentor é amigo ou o irmão mais velho que todos gostariam de ter. É o sujeito capaz de escutar as suas angústias. Tirar as suas dúvidas. Dar uma luz no final do túnel, saca?

No começo da carreira (ou no final da faculdade) a sensação de alegria resultante da aprovação no Exame da OAB e da colação de grau é substituída por um sentimento de abandono.

Sim… se você está ou já se sentiu CARENTE PROFISSIONALMENTE você entende a importância de uma mentoria. Buscar uma mentoria eficiente é a melhor maneira de evitar o drama do início da carreira profissional. O mentor pode te ajudar com várias coisas. Mas são duas que ganham destaque:

  1. O que eu devo fazer logo depois de formado? Procuro uma pós-graduação? Faço concurso? Vou estudar fora? Abro um escritório? Vou trabalhar numa multinacional? Faço MBA? Talvez um mestrado? …. ou quem sabe largo tudo e compro uma bicicleta e vou pedalar pelo mundo???
  2. O que eu NÃO devo fazer depois de formado? uma pós-graduação? Faço concurso? Vou estudar fora? Abro um escritório? Vou trabalhar numa multinacional? Faço MBA? Talvez um mestrado? …. ou quem sabe largo tudo e compro uma bicicleta e vou pedalar pelo mundo???

Tá achando que tem algo de errado no texto? Que eu errei o CRTL C + CRTL V? Nada disso. As dúvidas do que fazer e do que não fazer são as mesmas. E as respostas dependem da carreira que você pretende trilhar. Não existe uma única resposta para pessoas diferentes.

Como eu não consigo responder todas as questões aqui, vou deixar para você ler outros textos que aprofundam essa questão e alguns testes de autoconhecimento que você pode fazer gratuitamente. É só baixar o material aqui no blog. Segue os links:

Mas mesmo depois de ler esse texto, se a sua insônia, a sua dor de cabeça, e o seu medo profissional ainda não melhoraram… fica a lição: pior que angústia profissional é pileque de balalaika. É verdade que o pileque passa, mas sempre tem alguém desagradável que tirou uma foto sua nesta situação é vai te mostrar sempre que você estiver sóbrio. Acredite: isso ainda acontece comigo mesmo depois de 20 anos de formado.

Brunno Pandori Giancoli é Mestre e Doutor. Atua profissionalmente como consultor jurídico em estratégias empresariais e gestão de risco. Tem como principal ramo de atividade assessorar escritórios de advocacia, departamentos jurídicos e consultoria para startups. Como empreendedor desenvolve projetos em Law Techs e Legal Techs. Professor de Direito Civil, Direito Empresarial, Direito do Consumidor e Gestão jurídica aplicada na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie e na FIA/USP. Possui ampla experiência em desenvolvimento profissional e equipes de alta performance para o mercado jurídico. Além da titulação acadêmica na área jurídica, possui certificação como Professional Coach, Professional Executive Coach e Professional Leader Coach pelo Institute of Coaching Professional Association (ICPA). Autor de diversas obras relacionadas à temática jurídica e gestão de risco.

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